Preso num bom suspense crítico

Quantos de nós já se pegaram pensando no que faria se conseguisse capturar um ladrão para promover uma “punição social” para aliviar a revolta que sente diante do dilema social sobre segurança? A proposta do filme A JAULA” é justamente essa. Um bandido que tenta roubar um carro de luxo acaba preso propositalmente dentro de um carro blindado e feito como armadilha justamente para prender o primeiro que tentasse fazer isso. Infelizmente para Djalma, interpretado por Chay Suede (Lascados”, “Minha Fama de Mau”), suas ações como bandido o levam a cair nessa armadilha e iniciar uma reflexão forte sobre seus atos como ladrão.

A mente ardilosa que criou essa armadilha é um medico cansado de ser assaltado e revoltado pela forma como o sistema não resolve a questão de segurança e bandidos como Djalma continuam livre sem a devida punição. Com o discurso crítico de “bandido bom é bandido morto” esse médico interpretado por Alexandre Nero (“Nos Tempos do Imperador”) tortura Djalma fazendo essas reflexões sem a proposta de um salvamento.

Na direção de João Wainer (“Junho”, “Pixo”), o filme joga essa reflexão de forma violenta e sem afagos ou alívios; “O bandido morto, resolve em alguma coisa? O sistema tem como reabilitar de verdade? E se eu matar um bandido, estarei ajudando ou me tornando parte do problema?”, além de outras possíveis reflexões bastante subjetivas. Um suspense sobre sobrevivência e reflexivo diante da forma como vemos e fazemos parte do sistema. Recomendadíssimo para os dias atuais em que não se sabe mais da onde vem o tiro.

 

NOTA:

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